“Mafalala é um bastião da consciência negra moçambicana” – Ivan Laranjeira

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O Director do Museu Mafalala, Ivan Laranjeira, defendeu, durante a cerimónia de celebração do “Mês da Consciência Negra e dos 50 anos do Hip Hop”, que a “Mafalala é um bastião da consciência negra moçambicana”.

O evento – organizado pela Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique – refletiu sobre a importância da música para a coesão social e para a liberdade de expressão. A iniciativa fez eco com as celebrações, pelo Museu da História Afro-Americana (EUA), que privilegiou “A arte da resistência e afro-americanos e as artes” (arte da resistência e afro-americanos e as artes).

Ivan Laranjeira destacou, na ocasião, a relevância social do Bairro da Mafalala na conscientização sobre a liberdade e dignidade negra. Com base na obra de José Craveirinha e Noémia de Sousa – duas das maiores figuras da poesia moçambicana e com fortes ligações mafalalinas – Ivan Laranjeira apontou o carácter interventivo, transformador e emancipatório embutido no Hip Hop, através da poesia.

“O hip Hop é muito ligado à periferia. A Mafalala é uma periferia, que encontra no hip hop um canal para poder expressar-se. Também encontra uma linguagem irreverente e apelativa a um público jovem. Que permite torná-los mais instruídos e conscientes sobre a cidadania activa e participava”, avançou.

Aliás, nos versos dos poetas que a Mafalala produziu, o Director do Museu Mafalala encontra diversos elementos que ligam o Hip Hop – lifestyle originário das periferias americanas em protesto às desigualdades socio-raciais – à Mafalala.

“Se pensarmos o papel de escritores como Noémia de Sousa e José Craveirinha (que são da Mafalala), vamos perceber que a poesia é um aspecto muito presente na Mafalala e é muito voltada para a questão da consciência negra”, apontou.

Mesmo antes do trabalho da IVERCA e do Museu Mafalala sobre o hip Hop, continua Ivan Laranjeira, o estilo já era muito presente nas diversas realidades da Mafalala, através dos seus diversos componentes. Um dos elementos é o empreendedorismo, do qual Ivan Laranjeira acredita que o Hip Hop não se deve dissociar.

“Um dos elementos principais da cultura hip hop é o hustle. Aprendemos muito sobre como empreender e lutar diariamente. (E é isto que se verifica na periferia). Não se pode dissociar o empreendedorismo do hip hop.”

Refira-se que Ivan Laranjeira fez parte de uma mesa de debate voltada ao tema “Como o Hip Hop inspirou o envolvimento cívico”, que também contou com os Rappers Kloro e Iveth, bem como a do Director da ECA-UEM, Dr. Eduardo Lichuge.

O evento decorreu na Biblioteca Nacional de Moçambique e foi marcado pela presença do Embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique, Peter H. Vrooman, membros do Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique, rappers, jornalistas, artistas e público diversos.

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